Era estranho o modo como me sentia.
Inexplicavelmente incompleto tendo tudo a minha volta.
A dor das agulhas a me perfurarem não era mais o suficiente para me curar.
Os desenhos tatuados em meu corpo não eram mais o bastante para domar meu psicodélico cérebro.
A paz nunca esteve em meu coração, apenas mandou lembranças e agora nem isso.
Não me lembro a verdadeira razão, nem se tive alguma razão.
Achei que o tempo fosse suficiente para me dar um motivo.
E a minha imaginação. Mas que maldita imaginação, limitadamente acromática e sem nexo.
Não há solução? Mas qual seria a solução para a minha inveja, a minha preguiça e a minha luxúria, maldita luxúria que não finda com sexo.
E aquelas sombras, sombras que estão sempre aqui.
Perto de mim.
Enchendo-me com suas palavras inaudíveis e seus perfumes baratos.
Eu não sou homem, eu não sou herói, não sou bandido, não sou bendito.
Eu não sou humano, não sou melhor, não sou maior, não sou maldito.
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